O Teatro Lambe-lambe e as narrativas da distância

Roberto Gorgati
Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC

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Uma caixa pode ser máquina de se ver através ou de se ver dentro, funcionando como telescópio, microscópio, luneta, caixa preta do teatro ou caleidoscópio. Todos estes inventos óticos, que de certa forma contribuíram para se reler o mundo de uns, ou delatar o universo de outros, ainda estão disponíveis para ficções. As cartas do céu como imagem telescópica, e as realidades terrestres, trazem também todas as cartas de terras possíveis remetendo ao gesto, à aventura e à experimentação intermediada pelo invento.
Se por um momento se busca o imaginário em torno da caixa, entra-se naquilo que tem relação direta com o artista ambulante, que viaja e leva seus equipamentos, laboratórios e engenhocas a outras cidades ou os aponta na direção que é impelido a fazer. Quem é esse artista que chega na cidade? O que leva dentro dessas caixas?
Penso que o Teatro Lambe-lambe é mesmo uma prática, dentro do Teatro de Animação, aberta a experimentações. O lugar do poema, do conto, da música, do cinema, da fotografia e da dança. Um laboratório portátil de poéticas a se descobrir.

Partir em direção a esse laboratório portátil é, também, olhar dentro do caldeirão da bruxaria. Parte-se de uma caixa e de um viajante. Quanto às máquinas a que faz referência e seus nomes, a caixa pode ser alusão a algumas outras invenções, como o estereoscópio e a lanterna mágica, por exemplo. Para que esta máquina funcione basta que se olhe pelo lado de dentro, pelo lado de fora, para os que estão ao seu redor e que se ouça o que ela tem a dizer.
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Este texto foi retirado do artigo de Roberto Gorgati publicado na Revista Móin-Móin-número 08

TEMPORADA DO ESPETÁCULO

"DE OUTRO JEITO"

Sábados e Domingos de Julho SEMPRE  às 11hs.

TEATRO MAPATI




Inspirado no livro “O Homem que amava Caixas” o espetáculo de bonecos “De Outro Jeito” conta a história de um pai com dificuldade de expressar, de maneira convencional, o amor que sente pelo filho. Na tentativa de se comunicar, o homem cria para o menino diferentes brinquedos e situações com caixas de papelão, objetos de seu ofício. Transformando-as em castelos, dragões, carros, animais, o pai proporciona ao filho um universo mágico de encantamento e diversão, expressando o seu amor.
O menino, além do amor do pai, as caixas representam a possibilidade de vivenciar sua meninice por meio de sua imaginação e criatividade.
Com música ao vivo, bonecos, atrizes e objetos, a peça nos leva a refletir sobre a
importância do afeto, da criatividade e da ludicidade em nossas relações.

Direção: Marco Augusto
Atrizes-bonequeiras: Amara Hurtado, Jirlene Pascoal e Mariana Baeta
Musico: Geraldo Toledo
Direção de Bonecos: Vitor Borysow
Preparação corporal: Tiana Oliveira
Bonecos: Marco Augusto e Wesley Barbosa
Caixas e objetos: Consola
Produção: As Caixeiras Cia. de Bonecas